LANCHE NA ESCOLA
O lanche na escola
tem sido alvo de grandes preocupações de pais e
educadores que, muitas vezes, não sabem o que servir
às crianças nesse horário. As ofertas do
mercado de alimento são muitas, em se pensando em produtos
fáceis de serem transportados e de boa
aceitação; porém, nem sempre são os
mais adequados para atender às necessidades nutricionais das
crianças.
Para
crianças pequenas, uma refeição simples, como
o lanche da tarde ou da manhã, pode ter uma grande
importância nutricional, pois pode coincidir com um
horário em que a criança sinta mais fome, além
de receber, normalmente, alimentos de fácil
aceitação nesse horário (leite, pão,
bolo, frutas etc). Por isso mesmo, é importante que a
qualidade dos alimentos oferecidos nesses pequenos lanches,
incluindo o lanche da escola (merenda) seja de bom valor
nutricional, mas de forma que não comprometa a
aceitação das refeições
posteriores.
Se o lanche
oferecido for excessivamente calórico, composto por
frituras, alimentos açucarados, refrigerantes e similares,
como a quantidade de calorias será elevada, dificilmente a
criança aceitará, com facilidade, a
refeição posterior (almoço ou jantar), o que
pode comprometer a sua nutrição. Um grande erro
alimentar é permitir que a criança coma mais no
horário dos lanches do que no horário das
refeições principais (almoço e
jantar).
Como o tempo de
digestão e a capacidade gástrica (volume alimentar
que o estômago suporta) na criança não
são iguais aos dos adultos, a satisfação
provocada por uma refeição à base de leite e
biscoitos açucarados, por exemplo, pode se prolongar por
muito tempo em uma criança pequena, reduzindo o apetite para
a próxima refeição.
A obesidade
infantil, fato que tanto preocupa hoje médicos e
nutricionistas, está relacionada ao alto consumo dos
alimentos do tipo lanche (hambúrguer, batata frita,
refrigerantes, doces, chocolate etc) e baixo consumo das
refeições salgadas (arroz, feijão, legumes
etc).
Seguem abaixo
algumas dicas para o preparo do lanche para a merenda escolar,
pensando-se nas necessidades nutricionais e na
aceitação das crianças.
- Observe se a escola tem alguma
forma de guardar alimentos que os alunos levem para o lanche
(geladeira), o que tornará possível uma maior
variedade no cardápio.
- Todos os lanches devem ser
acompanhados por algum tipo de proteína (carne, queijo,
ovos, leite etc), podendo ser utilizados das formas mais variadas:
bolos e tortas salgadas com recheio de carne ou frango, assados do
tipo pastéis com recheio de queijo ou carne,
sanduíches com carne ou embutidos de carne e queijo
etc.
- É importante que o leite
(ou seus derivados) esteja presente em todos os lanches, o que pode
ser feito através da adição de queijo nos
sanduíches ou salgados, quando o leite não estiver
presente.
- Usar apenas eventualmente
os embutidos de carne (presunto, mortadela, salsicha etc), pois
são produtos com grande concentração de sal e
sofrem adição de conservantes químicos em seu
processo de fabricação. Também contêm
uma grande porcentagem de gordura, devendo-se se dar
preferência, quando utilizá-los, aos do tipo "light",
principalmente para o caso de crianças que já estejam
com excesso de peso.
- Alternar alimentos salgados e
doces é uma boa alternativa para atender ao paladar da
criança, ou seja, no dia em que for servido um
sanduíche à base de frango e queijo, por exemplo,
não será oferecido biscoitos doces, ficando esses
para o acompanhamento de uma vitamina de fruta ou iogurte de
frutas.
- Quando se tem pouca
opção de guarda de alimentos, ou seja, não
houver local de estocagem adequado na escola (as quais deveriam
providenciar uma geladeira para essa finalidade, desde que o
número de alunos o permita), o melhor é pensar em
lanches que possam ficar à temperatura ambiente por um tempo
maior, sem o risco de estragarem. Nesses casos, pode-se optar pelos
sucos ou produtos à base de leite (como achocolatados ou
vitaminas) em embalagens do tipo longa vida, que não exigem
a temperatura de geladeira até serem abertos para o consumo.
Os queijos fundidos (tipo "polenguinho") também podem ser
utilizados no preparo de sanduíches ou para serem consumidos
junto a biscoitos e pães.
- Sempre é bom evitar
alimentos excessivamente salgados, gordurosos ou doces.
Biscoitinhos salgados têm, normalmente, muito sal e muita
gordura adicionados; biscoitos recheados têm, igualmente,
altas quantidades de gordura, além do excesso de
açúcar. Tais alimentos podem levar a problemas de
saúde e fazer surgir, mais cedo, algumas processo
patológicos para os quais a criança já tenha
predisposição hereditária (exemplo: diabetes,
doenças cardio-vasculares, hipertensão,
etc).
- O mais importante é
garantir que a quantidade consumida seja suficiente para atender
à fome naquele horário específico, mas
não gere excessos que impeçam a
aceitação da próxima refeição.
Para isso, é bom observar a criança em casa, como ela
se comporta nos horários das refeições (em
termos de volume e aceitação) para não
alimentá-la em excesso ou deixá-la com fome no
horário da escola, o que certamente trará
prejuízos no seu rendimento escolar.
- As cantinas das escolas poderiam
ser uma boa alternativa para preparo de alimentos frescos e de bom
valor nutricional, mas, infelizmente, acabam atendendo apenas ao
paladar das crianças. Para mudar essa
situação, seria importante um bom relacionamento
entre pais e diretores das escolas, de modo a decidirem juntos que
tipo de alimentos serão oferecidos na cantina durante a
semana.
Uma boa programação de lanches na própria
escola, pode se tornar bastante vantajoso para os pais, pois podem
representar o mesmo gasto financeiro, mas com menor
preocupação diária e maior capacidade de
oferecer, aos alunos, uma alimentação mais variada e
de melhor qualidade.
- É importante lembrar da
necessidade de hidratação das crianças na
idade escolar, pois costumam ser extremamente ativas e perdem
líquidos com facilidade. Sempre é bom cuidar para que
bebam água durante o horário de escola, independente
do lanche oferecido, o que deve ser enfatizado por pais e
educadores.
|
Alimentação e
auto-estima
E como explicar para a criança
obesa que os amiguinhos comem chocolate, biscoitos recheados,
salgadinhos fritos, tomam refrigerante e ele não deve
acompanhar estes hábitos? Para a médica Alice Amaral,
a criança entende mais fácil que o próprio
adulto. "É claro que incialmente é difícil.
Ela acha que se levar uma fruta para escola vai estar 'pagando
mico'. Mas com o tempo ele percebe que a vida dela melhora e, mais
uma vez, é importante a participação da escola
neste processo".
A médica
lembra que os avós precisam se conscientizar também.
"Eles são do tempo em que bebê gordinho é que
era saudável. Hoje a gente sabe que não é mais
assim. E costumam ficar indignados quando a mãe
proíbe que a criança coma biscoitos recheados e
chocolates o tempo inteiro".
A mudança
de hábitos é necessária, porque, em alguns
casos, a auto-estima da criança obesa pode ser afetada. "Os
amiguinhos não têm 'papa na língua' e chamam o
coleguinha por diversos apelidos inconvenientes", lembra a
médica. A criança se afasta do grupo e fica, cada vez
mais, dentro de casa na frente da televisão e do
computador.
Outro dado que
deve estar aliado à alimentação é a
prática de esportes. "Na escola, a aula de
educação física não é suficiente
para a criança gastar o tanto de calorias que ingeriu.
Antes, as crianças ficavam brincando de queimada,
esconde-esconde a tarde inteira e tinham uma
alimentação saudável com frutas, verduras e
legumes e tomava suco. Refrigerante só em dia de festa. Por
isso, é importante a conscientização e
prevenção, mas isso demora um pouco", ressalta Alice
Amaral.
Nota de
crisete: Alice Amaral é
médica nutróloga.
Site: puericultura.my1blog.com
Comentários